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Mais inclusão = Melhor performance?

Não será um paradoxo apelar à diversidade quando sabemos, de forma intuitiva, que naturalmente procuramos fazer parte de grupos com características idênticas às nossas. O segredo está na inclusão.

By João Guedes Vaz

Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº.125) da Human Resources, nas bancas.

Desde que o ser humano se organiza em sociedade que a necessidade de pertença é uma necessidade básica. O ser humano é um ser social, e aquilo que se poderia conceber como um factor higiénico – o de se organizar em grupos para aumentar a probabilidade de sobrevivência – evoluiu para algo mais complexo, para um profundo desejo e necessidade de pertença.

Nas organizações, esta necessidade de pertença faz com que grupos diferentes se comportem de formas diferentes, dependendo não só das personalidades e preferências de cada indivíduo, das relações entre eles, mas também da soma (ou tendências) das mesmas. Não só cada indivíduo condiciona o comportamento do grupo como o grupo, no seu todo, condiciona os comportamentos individuais.

A verdade é que muito se tem escrito e investigado sobre a importância de termos equipas diversas, uma vez que se supõe que, através da diversidade, conseguimos trazer diferentes pontos de vista, promover o confronto de ideias, aumentar a capacidade de inovação e, consequentemente, o desempenho da organização.

Mas não será um paradoxo apelar à diversidade quando sabemos, de forma intuitiva, que naturalmente procuramos fazer parte de grupos com características idênticas às nossas? E que mesmo quando conseguimos a tão desejada diversidade, o grupo, no seu todo, acaba por criar uma espécie de estereótipo – a soma (ou o padrão) das preferências dos seus indivíduos – ao qual todos os elementos passam a obedecer? O resultado é, muitas vezes, um efeito de anulação das diferenças que a própria diversidade procurou contrariar, pelo poder que o grupo exerce sobre os indivíduos, fruto da necessidade de pertença.

A inclusão como factor potenciador de performance nas equipas
A experiência a trabalhar com equipas executivas diz-me que a melhor forma de contrariar este efeito é através da inclusão. É na inclusão que está o segredo para que a performance de uma equipa não seja apenas a soma das suas partes. É através da inclusão que as diferenças se complementam e potenciam, permitindo atingir resultados excepcionais, impossíveis de alcançar de outra forma.

Podemos ver a diversidade e a inclusão como duas faces da mesma moeda: numa (a diversidade) temos as condições criadas para encontrar as diferenças que se complementam e potenciam, enquanto na outra (a inclusão) encontramos o que fazemos com essas diferenças. Não basta ter diversidade, de perfis, de preferências, quando, no limite, todos os indivíduos se moldam a um modelo do grupo, que não representa nenhum indivíduo, apenas a “média” de todos.

Nas equipas executivas, em particular, a questão da diversidade e inclusão é um assunto amplamente debatido e relevante, já que são elas o exemplo máximo do comportamento da organização.

Em especial num país pequeno como o nosso, com um número relativamente reduzido de executivos no mercado, existem estereótipos muito vincados de liderança – sobre o que acreditamos ser um bom líder. No caso de Portugal, em particular, assisto com frequência a situações em que a necessidade de pertença leva a que muitos líderes se ajustem, ao longo da sua carreira, se moldem aos padrões dos estereótipos, por acreditarem que essa é a receita para o sucesso.

Promovendo a inclusão (e a diversidade) nas equipas executivas, estamos a criar um ambiente de segurança psicológica para que cada executivo traga o melhor de si e que se potencie através do melhor dos outros. Através deste círculo virtuoso estamos, na prática, a multiplicar a performance de uma organização através da complementaridade dos perfis de cada executivo.

Equipas executivas de alta performance são diversas e inclusas e promovem, com mais naturalidade, o alto desempenho das suas organizações de forma sustentada no tempo.

About the Author

João Guedes Vaz
João Guedes Vaz
Managing Partner, Leadership Consulting, Portugal
Member, Board of Directors, Boyden
Global Practice Leader, Leadership Consulting

João Guedes Vaz is a highly regarded leadership and business transformation specialist focused on strategic change in fast-paced, highly competitive environments. With over twenty years as an executive in multi-cultural and multinational organisations, João has worked with some of the largest companies in Europe and Sub-Saharan Africa across of a variety of sectors. Joao leads Portugal’s leadership consulting services and partners across the firm working with clients in developing high performing teams.

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