In the Media
Necessária mais formação em gestão
No Especial Executivos publicado hoje no PÚBLICO, Fernando Neves de Almeida, Managing Partner da Boyden Global Executive Search Portugal defende que os países do sul da Europa alcançariam maior produtividade, com ganhos para o crescimento económico se, tal como nos EUA, se fizesse um “maior esforço na formação em gestão”.
By Samuel Silva
O Governo acaba de lançar uma linha de crédito de 100 milhões para apoiar a formação dos gestores. Durante muito tempo a resposta ao problema da competitividade do país foi colocado “do lado da formação dos trabalhadores”. Mas Portugal precisa também de melhor gestão de empresas
A gestão das empresas representa metade do déÆce de produtividade dos países do Sul, como Portugal ou a Itália, em relação aos Estados Unidos”, justiÆca um artigo do centro de investigação norte-americano National Bureau of Economic Research . Na base dessa análise estão os dados mais recentes do World Management Survey ,o maior estudo mundial sobre práticas de gestão, que coloca os gestores portugueses entre os piores da Europa.
O mesmo artigo traçava também um cenário: se as empresas dos países do Sul da Europa conseguissem ter desempenhos de gestão semelhante ao dos EUA, isso seria suÆciente para uma subida signiÆcativa na sua produtividade, com ganhos para o crescimento económico. A metodologia de análise seguida por aquele estudo — que é citado regularmente em relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Banco Mundial — põe Portugal em 15.º lugar, num total de 35 países analisados, com uma classiÆcação de 2,8 pontos (numa escala até 3,5). No continente europeu, só a Espanha e a Grécia têm pior resultado. A tabela é liderada pelos Estados Unidos (3,3), seguidos por Japão e Alemanha, com menos 0,1 pontos cada.
A metodologia de análise seguida por aquele estudo — que é citado regularmente em relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Banco Mundial — põe Portugal em 15.º lugar, num total de 35 países analisados, com uma classiÆcação de 2,8 pontos (numa escala até 3,5). No continente europeu, só a Espanha e a Grécia têm pior resultado. A tabela é liderada pelos Estados Unidos (3,3), seguidos por Japão e Alemanha, com menos 0,1 pontos cada.
Um país, duas realidades
Ainda assim, esta é uma realidade com diferenças bem marcadas no tecido produtivo português, como mostra o Inquérito às Práticas de Gestão do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicado há dois anos — deverá sair uma nova edição até ao Ænal deste ano. Esse estudo mostra que 40% dos gestores de topo das empresas não são licenciados, mas há grandes nuances quando se cruzam estes dados com as características das empresas.
O perÆl dos gestores é mais qualiÆ# cado nas Ærmas que pertencem a um grupo económico (80,8% têm, pelo menos, uma licenciatura) e de grande dimensão (82,9% com formação superior). Mas, num país em que as pequenas e médias empresas têm um peso determinante — representam quase 60% do total das sociedades —, é relevante que 42,2% dos gestores de topo destas Ærmas não tenham uma licenciatura. A percentagem sobe ainda mais nas microempresas, em que 56,3% das Æguras máximas não concluíram o ensino superior.
O resultado é um país com “duas realidades bem distintas” e que “têm vindo a evoluir de forma muito diferente”, defende a associate dean da Porto Business School (PBS), Patrícia Teixeira Lopes. “Temos empresas muito soÆsticadas, com gestores muito avançados, com boas práticas de nível internacional”, considera. Já as pequenas e médias empresas (PME) continuam a apresentar debilidades na gestão — apesar de terem “evoluído muito bem nos últimos anos”.
Esta dicotomia é algo “comum a outros países, mesmo nos EUA e Japão”, que apresentam as melhores práticas de gestão, explica Alberto Castro. A grande diferença é que, nesses países, “há menos empresas mal geridas”, enquanto em Portugal se encontram muitas Ærmas “com práticas de gestão relativamente precárias”.
O mesmo estudo do World Management Survey põe em evidência uma correlação entre a propriedade das empresas e as suas práticas de gestão. As empresas multinacionais demonstram “boas prestações de gestão, onde quer que estejam localizadas”. As empresas exclusivamente nacionais têm pior desempenho.
E, em empresas familiares, o comportamento é bem diferente quando o gestor de topo — o estudo usa a designação chief executive officer (CEO) — é exterior à família. Nesses casos, as práticas de gestão são substancialmente melhores — acima de 3 pontos, numa escala até 3,5 — do que nas geridas por elementos da família (2,8).
No caso português isto é particularmente relevante, já que mais de metade das sociedades (56,5%) são detidas em pelo menos 50% pelo seus fundadores ou por familiares destes e 78,7% dos gestores de topo das empresas são também os fundadores ou membros da respectiva família, de acordo com Inquérito às Práticas de Gestão do INE. “O problema mais premente da falta de crescimento em Portugal é a fraca produtividade”, avalia o dean da Nova School of Business and Economics (SBE), Daniel Traça.